terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Empresa de TV a cabo, do Grupo El Clarín, faz concorrência desleal e sofre intervenção.

Victor Zacharias

Hoje de manhã, ouvi pela rádio que uma empresa argentina de TV a cabo, foi invadida pelos militares, e seus diretores foram detidos.

É bem provável que a mídia brasileira aproveite este evento para condenar a conduta do governo argentino, que recentemente aprovou a Ley de Medios para democratizar sua comunicação. O El Clarín, principal grupo de comunicação argentino, ficou muito incomodado, porque, como é feito aqui do Brasil, usava a radiodifusão como uma propriedade particular, cujo objetivo de lucrar e fazer política, quase sem nenhum sentido ético ou público, era o costume.

No Brasil, infelizmente, caminhamos muito pouco para a implementação do Marco Regulatório das Comunicações, nossas emissoras de rádio e tv, concessões públicas, aprenderam com a ditadura e fazem, muitas vezes, censura privada das informações;
Força Militar ocupa durante 3 horas a Cablevision

O que aconteceu na Argentina foi que a justiça da província de Mendonza, ordenou a intervenção da Cablevision, empresa do Grupo El Clarín, por concorrência desleal, queixa feita pelo Supercanal, empresa do Grupo Vila Manzano. A denúncia foi que com a recente fusão da Cablevision com a Multicanal, os diretores do Grupo El Clarín começaram a praticar conduta anticompetitiva, como manobras para excluir seus concorrentes, preços predatórios e manipulação da grade, entre outras irregularidades.

Sendo assim a justiça nomeou um interventor para um administração conjunta neste período, porém, hoje quando tentou assumir o comando na sede da empresa, foi impedido, segundo a agência oficial de notícias.

A Cablevision terá direito de recorrer, mas hoje é preciso executar a ordem judicial, disse o nomeado auditor, Ricardo Mastronardi. De acordo com o mandado judicial o co-administrador ficará 60 dias examinando documentos da contabilidade e do marketing da empresa. Ele garantiu que os empregados não serão afetados e que a medida visa proteger os consumidores.

Ao que tudo indica foi uma intervenção feita pela justiça, dentro da lei, e que pelo não cumprimento, por parte da empresa, foi necessária a presença do exército, mas os meios de comunicação, acostumados ao monopólio e a exercer poder conforme seus interesses políticos e financeiros, parecem ter problemas em aceitar determinadas leis.

(com informações da Página 12)

2 comentários:

Anônimo disse...

Via Frentex

Prezad@s, a seguir um contributo à reflexão sobre o entrevero Clarin X Governo da Argentina.

Embora ocupe cargos em instituições de representação de jornalistas (*FENAJ e FJLP), faço esse comentário de âmbito e responsabilidade pessoal.

Neste ano, se não me falha a memória em meados de março, recebi no Sindicato dos Jornalistas uma ligação de colegas da Globo News que queriam entrevistar representante dos jornalistas para contestar medidas do governo argentino em relação ao jornal Clarin já naquela época.
Combinamos que eu daria a entrevista para falar sobre o que estava lá ocorrendo. A TV Globo insistia que o caso era de repressão à liberdade de expressão e de imprensa. Marcamos os horários,pois, alguém da redação viria me apanhar logo cedo no centro de SP e me levaria até a redação em SP (na TV Globo). Assim, na segunda abordagem, o colega perguntou, "... e o senhor está a par do que está acontecendo por lá?" Sim, eu disse, o Clarin é um dos jornais que mais devem impostos trabalhistas (similares ao nosso FGTS e também previdência social) e que não recolhem os direitos dos trabalhadores e por isso o órgão do governo encarregado disso (similar ao MTE) está a tomar medidas para que esses impostos sejam recolhidos. Bem, não é preciso dizer que até hoje espero para dar essa entrevista!
É preciso muito cuidado na avaliação de que o governo argentino quer calar a imprensa nesse país. Maus patrões e barões da mídia usam, com frequência, o subterfúgio da "censura" e da "perseguição" para se livrar, inclusive, das suas responsabilidades civis e cívicas!
Saudações
Alcimir Carmo, diretor de relações internacionais na FENAJ, secretário executivo na Federação dos Jornalistas de Língua Portuguesa - FJLP

Adriano C. Tardoque disse...

Pois é... Eis um cuidado fundamental: ver se as medidas trabalhistas não estão levando junto a censura. Algo como "jogar a água da bacia com o bebê dentro".

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