Victor Zacharias
Em debate realizado no final do mês passado para discutir a esquerda no Brasil, João Paulo Rodrigues dirigente nacional do MST abordou a questão da união e da mobilização dos movimentos e partidos de esquerda no Brasil, fazendo uma breve análise e propostas para o prosseguimento das lutas e pelo socialismo.
A recuperação da nossa consciência de classe é essencial
Ele disse que "a onda agora é ser classe C". Nos últimos anos a classe trabalhadora acabou sendo desconfigurada, ela não se reconhece como tal, não é mais a classe trabalhadora, é a classe C. A consciência foi transferida para o consumo.
Organização de massa
E para colaborar com este processo a esquerda tem abandonado a perspectiva de organização de massa, que não é um problema só brasileiro."Se queremos mudar não basta ter nossos grupinhos, nossos movimentinhos". A perpectiva tem que ir além da formação de quadros.
No período de descenso da luta de massa a organização é fundamental como maneira de formação de consciência, de estruturação para o enfrentamento do capital, e de acúmulo de força. É preciso discutir quais serão os instrumentos para representar a classe: nos movimentos sociais, sindicais e nos partidos.
Unidade
Há uma hegemonia no agro negócio pelo latifúndio, nos meios de comunicação pela concentração das concessões e propriedade cruzada, e nas relações internacionais com o grande capital pelo Estado.
Por mais que a esquerda brasileira seja uma das que mais tem capilaridade social, ela está fragmentada. São 3 grandes aspectos: - do ponto de vista da ação de massa; - não há projeto; - unidade das massas.
Não existe um projeto em torno do qual todos lutem, isto é, não um programa de cada partido, o que unifica é um projeto que dá referências para onde queremos ir. Mas onde está a força política para construção deste projeto?
Quanto à unidade nas massas, hoje em dia os militantes discutem uma coisa e seus líderes outra.
O tal socialismo
Os socialistas de hoje tem outros interesses, uma parte acha que vai conseguir um emprego bom e outra acha bonito o rótulo; de ser de esquerda, bota um quadro do "Chê", veste uma camiseta e diz "tamo junto".
Eles precisam entender que "para ter o socialismo de verdade temos que fazer uma coisinha que não é fácil: revolução". E essa etapa tem que contar com as massas, senão não tem jeito.
Não tivemos na nossa experiência histórica recente um momento onde as massas foram fazer revolução pelo socialismo. Fomos para rua pelo pão, liberdade, terra, salário e outras questões, são elementos contra a barbárie do capitalismo, mas não saímos pelo socialismo. As massas tem preferido assim: "Vamos para luta pelo socialismo? Beleza, mas eu prefiro ir para a terra antes, tenho que receber um salário". Nos dias de hoje a revolução parece extremamente difícil.
Quais são os temas que acumulam forças para avançar para o socialismo, provocar a ruptura, para fazer a revolução? Esse é o nó que está colocado para nós.
Quando se fala em acumular força é também contraditório, porque esta foi a idéia da década de 80. Acumular força no tempo tem acomodado, por exemplo: um deputado que foi eleito numa estratégia de acumular força para o socialismo, se acomoda e vira outra coisa. No MST também acontece isso. A consciência econômica, a propriedade privada acomoda o que foi acumulado."É um processo permanente de avançar, portanto não é tão simples".
Estes grandes temas não estão resolvidos. Neste período de crise a unidade é importante, por isso não devemos queimar as pontes entre os socialistas que queiram fazer a luta acreditando que em certo lugar temos uma esquerda pura, lá na frente podemos precisar deles para o enfrentamento.
Assista um trecho do vídeo e tire suas conclusões.
Cartão Laranja é blogue informativo e também de debates sobre assuntos pouco polêmicos (rsr), como futebol, política e marketing, se a coisa não vai bem publicamos no cartão laranja, porém a única coisa que não vale é baixar o nível. Quem baixar o nível, leva cartão vermelho.
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Ser de esquerda é exigir o impossível - José Arbex
Victor Zacharias
No dia 30 de agosto a Caros Amigos promoveu na PUC em São Paulo o debate: Sobre a esquerda no Brasil. Entre os vários palestrantes, José Arbex, jornalista, escritor e editor especial da revista foi o primeiro a colocar o seu ponto de vista.
Ele inicou passando por pontos importantes desta história que dá significados diferentes a esquerda durante o tempo. A esquerda européia foi tolerante e aceitou participar do chamado "estado de bem estar social". A frase emblemática de Margarete Tatcher: Não há sociedades, o que existe são indivíduos", deu início a uma a nova fase do capitalismo que não tem nada a ver com o "estado de bem estar social". O Brasil também teve a Margarete, ela se chama Fernando Henrique.
Este novo tempo tem significado guerra, destruição para o planeta terra e para a gente que luta para viver nele. Neste ano o número de 1 bilhão de famélicos foi atingido e, para a surpresa de alguns, não é por falta de alimentos, pois dividindo a produção alimentar pela população do mundo cada um tem 2.750 calorias por dia. Essa fome vem do capital, do agronegócio, e quem é a favor do agronegócio não e de esquerda. "Todo aquele que é comprometido com o capital não pode ser de esquerda", diz Arbex.
Correlação de forças
As mudanças necessárias não podem ser feitas, diz o governo, pois a tal correlação de forças impede, mas isso é falso. No limite, o que daria para entender de uma esquerda comprometida, seria a necessidade de educar quadros e fazer uma resistência cotidiana, mas nunca se submeter ao capital.
As revoltas no Oriente Médio não olharam para a "correlação de forças" e nem os estudantes do Chile, porque eles não fizeram uma estratégia, somente expressaram sua humanidade, se fossem olhar a "correlação de forças" não teriam feito nada.
Arbex diz, "A definição de esquerda é exigir o impossível"
No momento que a esquerda parar de exigir o impossível ela vai ficar olhando o mundo como lhe parece, e o mundo como lhe parece hoje é o da barbárie. Exigir o possível é se conformar com a barbárie. E quando a esquerda faz isso, vira um bando de oportunistas.
Partidos
Segundo Arbex, as questões da esquerda vieram para o Brasil tardiamente e com a visão de Lenin, que tinha construído uma teoria chamada "consciência externa". A consciência trazida de fora, o partido formado por quadros que seriam consciência da classe. Já Marx, extremamente prático, dizia que não é a consciência que determina o ser, mas o ser social que condiciona a consciência, e nunca é desvinculada de uma prática.
Nos dias de hoje, isso leva a crer que os partidos não podem ter sua vida política a partir de quadros com uma verdade histórica, a esquerda tem que fazer parte dos destinos do povo, completa Arbex, "não sou espontaneísta, mas contra quadros auto eloquentes e auto legitimador, aquele que dá para si próprio o papel de farol da história...".
Assista o vídeo e conheça o pensamento completo do Arbex sobre a esquerda.
No dia 30 de agosto a Caros Amigos promoveu na PUC em São Paulo o debate: Sobre a esquerda no Brasil. Entre os vários palestrantes, José Arbex, jornalista, escritor e editor especial da revista foi o primeiro a colocar o seu ponto de vista.
Ele inicou passando por pontos importantes desta história que dá significados diferentes a esquerda durante o tempo. A esquerda européia foi tolerante e aceitou participar do chamado "estado de bem estar social". A frase emblemática de Margarete Tatcher: Não há sociedades, o que existe são indivíduos", deu início a uma a nova fase do capitalismo que não tem nada a ver com o "estado de bem estar social". O Brasil também teve a Margarete, ela se chama Fernando Henrique.
Este novo tempo tem significado guerra, destruição para o planeta terra e para a gente que luta para viver nele. Neste ano o número de 1 bilhão de famélicos foi atingido e, para a surpresa de alguns, não é por falta de alimentos, pois dividindo a produção alimentar pela população do mundo cada um tem 2.750 calorias por dia. Essa fome vem do capital, do agronegócio, e quem é a favor do agronegócio não e de esquerda. "Todo aquele que é comprometido com o capital não pode ser de esquerda", diz Arbex.
Correlação de forças
As mudanças necessárias não podem ser feitas, diz o governo, pois a tal correlação de forças impede, mas isso é falso. No limite, o que daria para entender de uma esquerda comprometida, seria a necessidade de educar quadros e fazer uma resistência cotidiana, mas nunca se submeter ao capital.
As revoltas no Oriente Médio não olharam para a "correlação de forças" e nem os estudantes do Chile, porque eles não fizeram uma estratégia, somente expressaram sua humanidade, se fossem olhar a "correlação de forças" não teriam feito nada.
Arbex diz, "A definição de esquerda é exigir o impossível"
No momento que a esquerda parar de exigir o impossível ela vai ficar olhando o mundo como lhe parece, e o mundo como lhe parece hoje é o da barbárie. Exigir o possível é se conformar com a barbárie. E quando a esquerda faz isso, vira um bando de oportunistas.
Partidos
Segundo Arbex, as questões da esquerda vieram para o Brasil tardiamente e com a visão de Lenin, que tinha construído uma teoria chamada "consciência externa". A consciência trazida de fora, o partido formado por quadros que seriam consciência da classe. Já Marx, extremamente prático, dizia que não é a consciência que determina o ser, mas o ser social que condiciona a consciência, e nunca é desvinculada de uma prática.
Nos dias de hoje, isso leva a crer que os partidos não podem ter sua vida política a partir de quadros com uma verdade histórica, a esquerda tem que fazer parte dos destinos do povo, completa Arbex, "não sou espontaneísta, mas contra quadros auto eloquentes e auto legitimador, aquele que dá para si próprio o papel de farol da história...".
Assista o vídeo e conheça o pensamento completo do Arbex sobre a esquerda.
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